‘Taxem os pobres’: filha de Peña causa polêmica com camiseta em meio à crise no Paraguai


Uma fotografia de Costanza Peña, filha do presidente do Paraguai, Santiago Peña, causou polêmica nas redes sociais em meio à crise financeira e política que atinge o país. Estudante da Universidade Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos, a jovem aparece usando uma camiseta com a frase em inglês “Tax the poor” (“Taxem os pobres”, em tradução livre).
A imagem recebeu críticas de paraguaios, políticos e veículos de comunicação locais. A repercussão ocorre enquanto milhares de correntistas enfrentam dificuldades para movimentar o dinheiro depositado no Ueno Bank, instituição que teve suas operações interrompidas após uma intervenção do Banco Central paraguaio.
A fotografia teria sido publicada originalmente em um perfil privado de Costanza. Nela, a jovem aparece diante de um espelho, em uma academia, vestindo a camiseta com a frase estampada na parte frontal.
A expressão é uma inversão do conhecido slogan “Tax the rich” (“Taxem os ricos”), utilizado em movimentos que defendem a cobrança de mais impostos sobre pessoas de alta renda.
Até o momento, não há confirmação de que a camiseta tenha sido escolhida como uma manifestação política sobre a crise. Também não há registro de um posicionamento público de Costanza sobre a repercussão.

Renúncia de Santiago Peña não foi aceita pelo Congresso
A polêmica envolvendo Costanza ganhou repercussão em um momento de forte instabilidade política no Paraguai. Na quinta-feira (5), Santiago Peña anunciou que deixaria a Presidência, depois que a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra ele.
A carta de renúncia, porém, não foi aceita pelo Congresso. Parlamentares governistas deixaram uma sessão conjunta antes da votação, provocando a perda de quórum. Com isso, o processo de destituição seguiu para o Senado, que passou a analisar as acusações contra o presidente.
Nesta sexta-feira (6), Peña não compareceu à sessão de julgamento. O Senado rejeitou, por 39 votos a 3, o pedido da defesa para adiar a apresentação dos argumentos por 72 horas. Os advogados do presidente alegaram que ele não teve tempo suficiente para analisar as acusações e disseram que poderão contestar o procedimento na Justiça. Para afastá-lo, são necessários 30 votos entre os 45 senadores.
A crise teve início com a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, após a identificação de problemas graves de solvência. A instituição, que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, teve as operações interrompidas, deixando correntistas sem acesso a saques, transferências e pagamentos.
O banco também administrava recursos de órgãos públicos, incluindo valores relacionados à Previdência Social. Estimativas divulgadas sobre o caso apontam que os depósitos de instituições estatais ultrapassavam US$ 800 milhões.
A situação levantou questionamentos sobre as relações entre o banco e o grupo empresarial ao qual estava ligado. Peña foi acionista da holding controladora do Ueno até março de 2025. Parlamentares da oposição também questionam a atuação de autoridades reguladoras e a destinação de recursos públicos à instituição.
O Ministério Público abriu investigações para apurar possíveis irregularidades. O presidente nega responsabilidade pelas suspeitas e afirma que pretende apresentar sua defesa.

Foto: Reprodução/Instagram/@cooooospeeeee
R7


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