‘Milei, parabéns’: Flávio Bolsonaro elogia ataques do presidente argentino em discurso no Brasil


O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) elogiou neste domingo o discurso do presidente argentino, Javier Milei, na convenção do partido em São Paulo. “Milei, parabéns”, afirmou ele durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band.

O que aconteceu
Milei chamou Lula de “presidiário” e Alexandre de Moraes de “lixo careca”. As declarações foram feitas na semana passada, durante a convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência. O Brasil convocou seu embaixador na Argentina após os ataques.
O candidato do PL afirmou que o presidente argentino disse o que “muito brasileiro queria falar”. “Você falou tudo o que muito brasileiro queria falar ali: que o comunismo é esse mal mesmo”, declarou durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band. “Ele fez um discurso que não atacou o Brasil. Atacou o comunismo”.
As declarações foram relacionadas à atuação de Lula na eleição argentina, segundo Flávio. O senador disse que o petista foi ao país vizinho fazer campanha contra Milei e visitou a ex-presidente Cristina Kirchner. “Eu acho que foi uma reciprocidade de Milei. Milei quis retribuir a gentileza que Lula fez na campanha”, justificou Flávio
Ele também citou uma denúncia de suposto financiamento para prejudicar Milei. Segundo ele, Lula teria “financiado alguma coisa na Argentina para tirar votos de Milei”.
Milei atribuiu recentemente à esquerda brasileira as críticas à seleção argentina. Ele sugeriu a existência de uma conspiração por trás das manifestações nas redes sociais sobre o comportamento da equipe durante a Copa do Mundo. Uma análise do site argentino Chequeado, reproduzida pelo UOL Confere, concluiu que não há elementos que sustentem a acusação.
Flávio ainda criticou a diplomacia do governo Lula e afirmou que o Brasil “lambe as botas da China”. Segundo o candidato, a postura do presidente levou os Estados Unidos a impor tarifas ao país. “O Brasil está sendo sancionado por causa dessa falta de habilidade do atual governo e por causa das provocações dele. O Lula trabalhou para que o Brasil fosse tarifado e ele conseguiu”.
O filho de Jair Bolsonaro negou que o irmão Eduardo tenha poder para influenciar a imposição de tarifas ao Brasil. “Você acha que o Eduardo tem poder de coerção sobre o presidente dos Estados Unidos? O que o presidente dos Estados Unidos faz é da cabeça dele”, afirmou.

Candidatura de ‘protesto’ e relação com Michele
Flávio definiu sua candidatura como um “protesto” contra a prisão de Bolsonaro. Ele chamou o processo que levou o pai à prisão de “farsa” e classificou como “linchamento” o julgamento conduzido pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Flávio também negou que o pai tenha representado uma ameaça à democracia. Apontou a transição para o governo Lula como “a maior prova” de que ele não pretendia dar um golpe.
Ele também comentou sobre a relação com a madrasta Michelle Bolsonaro. Ao comentar o vídeo em que foi criticado pela ex-primeira-dama, Flávio disse acreditar que ela estava insegura com a candidatura dele. “Problema dentro de casa, dentro da família, todo mundo tem”, afirmou.
Segundo o Flávio, Jair Bolsonaro não sabia da gravação. “Óbvio que não gostei, fiquei chateado, surpreso com esse vídeo. Só que tem uma coisa maior em jogo, que é o futuro do nosso Brasil”, declarou. Flávio classificou o episódio como “página virada”.

Flávio atribui dificuldade entre mulheres a “desconhecimento”
Flavio foi questionado sobre a dificuldade com o eleitorado feminino, e atribuiu os resultados negativos ao “desconhecimento”, e não à rejeição. Disse que precisa melhorar a comunicação com as mulheres e voltou a afirmar que prefere uma candidata a vice.
Entre as propostas para esse público, prometeu criar uma plataforma nacional para denúncias anônimas de violência doméstica pelo celular. O plano também prevê georreferenciamento das vítimas e monitoramento, em tempo real, das tornozeleiras eletrônicas dos agressores.

Imagem: Reprodução/Band
Uol


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