Governo dos EUA afirma que respeitará e vai aceitar a decisão das urnas no Brasil na eleição de outubro de 2026


O governo dos Estados Unidos afirmou que reconhecerá a escolha feita pelos brasileiros nas eleições de 2026 e declarou que pretende manter a relação com qualquer governo escolhido pelo voto popular. As informações foram divulgadas no Metrópoles, que recebeu o posicionamento de um alto funcionário do Departamento de Estado em um contexto de aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.
A autoridade dos EUA afirmou que o governo do presidente Donald Trump atribui grande importância à parceria com o Brasil e não busca um rompimento das relações bilaterais.
A manifestação ocorreu cerca de duas semanas depois de o Itamaraty negar vistos a três representantes dos EUA que pretendiam realizar uma missão relacionada ao sistema eleitoral brasileiro.
“(O rompimento das relações) não é a situação que nos interessa. Atribuímos grande importância às relações com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil; e temos respeitado e lidado com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, mantendo relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou o funcionário.

Indicação de Daniel Perez amplia atrito diplomático
A escolha do novo embaixador estadunidense em Brasília tornou-se um dos principais pontos de tensão entre os dois governos. O presidente Trump indicou Daniel Perez para o cargo em junho.
O Comitê de Relações Exteriores do Senado estadunidense analisou a indicação e registrou oficialmente Perez como nomeado para representar os EUA no Brasil.
Nesta sexta-feira (7), o Senado estadunidense aprovou a indicação de Perez por 51 votos a 47. O governo brasileiro ainda precisa conceder o agrément para que ele assuma a missão diplomática em Brasília.
O agrément representa o consentimento do país que receberá o diplomata antes da efetivação de sua nomeação. Washington cobra uma definição de Brasília e afirma que autoridades brasileiras sinalizaram que o aval poderá ocorrer somente depois das eleições presidenciais de outubro.

Governo Trump revogou visto de embaixadora brasileira
A disputa ganhou outro capítulo na terça-feira (4), quando o governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora brasileira em Washington. O Departamento de Estado relacionou a decisão à demora brasileira em conceder o agrément a Perez.
O governo Trump não determinou a expulsão da diplomata. Viotti pode permanecer nos EUA, mesmo sem um visto válido, e Washington admitiu a possibilidade de restabelecer o documento caso o Brasil autorize a nomeação do novo embaixador.

Sistema eleitoral também entrou no centro das tensões
Os atritos diplomáticos também alcançaram o debate eleitoral. Uma reportagem do Washington Post informou que representantes do governo estadunidense planejavam viajar ao Brasil para abordar a confiabilidade do sistema eleitoral antes das eleições. O Itamaraty impediu a missão ao negar os vistos diplomáticos.
O Departamento de Estado rejeitou a interpretação de que a viagem teria como objetivo interferir no processo eleitoral brasileiro. A diplomacia estadunidense afirmou que seus representantes pretendiam conversar com autoridades sobre “integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão”.
Os episódios ocorrem em um ambiente de maior pressão política e econômica entre os dois países. O governo Trump aumentou tarifas sobre produtos brasileiros, abriu investigações comerciais e intensificou divergências com Brasília. A aproximação entre Washington e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também passou a integrar esse cenário.

Washington tenta preservar relação de longo prazo
Apesar dos conflitos recentes, o Departamento de Estado apresentou o Brasil como um parceiro relevante para os interesses estadunidenses. O funcionário citado pelo Metrópoles destacou os investimentos, as relações comerciais e os vínculos culturais mantidos pelos dois países.
“Essa é uma das relações mais importantes que mantemos na região”, declarou.
A autoridade também reforçou que Washington manteve relações com governos brasileiros de diferentes correntes políticas ao longo dos anos.
“Temos respeitado e lidado com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, mantendo relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou o alto funcionário.

Família Bolsonaro e o trumpismo
O integrante do governo Donald Trump concedeu a entrevista em um contexto de agressões à soberania brasileira cometidas pelos EUA, conforme denunciam políticos do campo progressista.
Este ano, a gestão trumpista aplicou dois tarifaços contra o Brasil (um de 25% e outro de 12,5%). O motivo para a guerra comercial foi a condenação de Jair Bolsonaro por ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. Aliado de Trump, o político da extrema direita brasileira foi condenado a 27 anos de cadeia na investigação sobre a trama golpista. Outras 28 pessoas foram condenadas.
Além dos dois tarifaços, o governo dos EUA classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Com a guerra comercial e a classificação das facções brasileiras, a gestão do presidente estadunidense quer estimular sanções contra o Brasil, que acionou a Lei da Reciprocidade para responder aos ataques dos EUA à soberania do país sul-americano.
Envolvimento em ações golpistas também fazem parte do bolsonarismo e do trumpismo. Além do inquérito da trama golpista, ministros do STF condenaram mais de 1,4 mil pessoas na investigação sobre os atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Em novembro de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou o PL, partido da extrema direita brasileira, em R$ 22,9 milhões após a legenda questionar a confiança das urnas eletrônicas.
Em 21 de julho de 2026, o atual candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionou a confiança do sistema eleitoral brasileira, durante encontro com diplomatas em Brasília. Conforme o parlamentar, as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa Smartmatic.
Na ocasião, o senador afirmou que, de acordo com um documento da CIA, a Smartmatic teria participado de um esquema de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.
“Muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa. Há denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, afirmou.
Nos EUA, apoiadores de Trump invadiram o Legislativo estadunidense, conhecido como Capitólio, e acusaram o sistema eleitoral de ser fraudulento.
Críticas ao Judiciário são uma tática defendida por nomes como Steve Bannon, ex-estrategista de Trump. A ideia com esta forma de fazer política é tentar transmitir para a população de um determinado país que as instituições responsáveis pelo sistema jurídico atrapalham o governo.
Líderes do campo progressista no Brasil e lideranças do Partido Democrata nos EUA denunciaram, nos últimos anos, que a estratégia tem como objetivo implementar um golpe de Estado para favorecer a economia estadunidense.

Brasil 247


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