Economia em queda: milhares de postos de trabalho são fechados em julho nos EUA e Dólar cai perante o Real


O dólar fechou esta sexta-feira (7) em queda no Brasil e encerrou a semana abaixo dos R$5,10, após o fechamento inesperado de postos de trabalho nos EUA em julho pesar sobre a moeda estadunidense em todo o mundo.
O dólar à vista fechou o dia com baixa de 0,41%, aos R$5,0845. Na semana, porém, a divisa acumulou alta de 0,31%. No ano, a baixa acumulada é de 7,37%. Às 17h05, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,59% na B3, aos R$5,1105.
O Departamento do Trabalho informou pela manhã que foram fechados 23 mil postos de trabalho nos EUA em julho, contrariando a expectativa de economistas ouvidos em pesquisa da Reuters de abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, ante 4,2% projetados.
O dado anterior foi revisado para pior, passando a apontar criação de 20 mil vagas em junho, ante os 57 mil postos de trabalho inicialmente informados.
A surpresa negativa com o relatório de empregos disparou a queda forte dos rendimentos dos Treasuries e a venda da moeda norte-americana, com os investidores avaliando que a fraqueza dos dados reduz as chances de o Federal Reserve subir juros no curto prazo.
Quando os juros estão baixos, o retorno para investidores que compram títulos do governo é maior. Se os juros baixam, investidores buscam novos mercados, como os emergentes. Com mais entrada de dólar em países fora dos EUA, neste caso o Brasil, o preço da moeda estadunidense baixa – quanto maior a quantidade, menor o valor.
No Brasil, após atingir a cotação máxima intradia de R$5,1044 (-0,02%) às 9h29, pouco antes do relatório, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0721 (-0,65%) às 9h34, já depois dos dados. O movimento estava em sintonia com a queda do dólar ante outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano.
“O dólar vem operando no lado negativo principalmente pela desaceleração do emprego nos EUA, que reduz a força do dólar globalmente (DXY), diminuindo a pressão compradora na moeda frente ao real”, resumiu à tarde Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
Às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,36%, a 99,582.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de setembro.

Entenda
Dados fracos de emprego nos Estados Unidos podem fazer o dólar cair no Brasil porque eles mudam a expectativa sobre os juros americanos.
No caso citado pela Reuters, o fechamento inesperado de postos de trabalho em julho sinalizou perda de força da economia dos EUA. Quando o mercado vê um dado assim, costuma aumentar a aposta de que o Federal Reserve, o banco central americano, poderá reduzir os juros ou manter uma política monetária menos restritiva.

A sequência costuma funcionar assim:

  1. Emprego pior nos EUA → aumenta a preocupação com a desaceleração da economia.
  2. Mercado passa a esperar juros menores → títulos do Tesouro americano tendem a oferecer retornos menos atraentes.
  3. Dólar perde força no exterior → investidores reduzem parte das posições na moeda estadunidense.
  4. Moedas emergentes podem ganhar espaço → o real se valoriza frente ao dólar.
  5. No Brasil, o USD/BRL recua → foi o que ajudou a levar o dólar à vista a R$ 5,0845, segundo o texto da Reuters.
    Há ainda um fator importante: se os juros brasileiros permanecem relativamente altos enquanto o mercado espera cortes nos EUA, aumenta a diferença de rendimento entre os dois países. Isso pode estimular operações de carry trade, nas quais investidores captam recursos em mercados de juros menores e aplicam em países com taxas mais altas, como o Brasil. Esse movimento aumenta a entrada de dólares no mercado doméstico e pode fortalecer o real.
    Mas essa relação não é automática. Se o dado de emprego for tão ruim a ponto de provocar medo de recessão ou crise, os investidores podem buscar segurança justamente no dólar, fazendo a moeda subir.

Reuters


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