A relação diplomática entre Brasil e Argentina entrou em um novo estágio de tensão após o governo brasileiro decidir rebaixar oficialmente sua representação em Buenos Aires. A medida foi adotada em resposta aos novos ataques do presidente argentino, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A informação foi publicada inicialmente pelo jornal argentino Clarín e confirmada nesta terça-feira (4) por um funcionário do Ministério das Relações Exteriores à Folha de São Paulo. Segundo a confirmação obtida pelo jornal brasileiro, o Itamaraty decidiu manter apenas um encarregado de negócios na embaixada brasileira na capital argentina enquanto persistirem as declarações ofensivas de Milei contra Lula.
Itamaraty confirma rebaixamento diplomático
O Brasil está sem embaixador em Buenos Aires desde 26 de julho, quando Julio Bitelli foi chamado de volta a Brasília para consultas. Inicialmente considerada uma resposta diplomática à deterioração das relações bilaterais, a retirada do chefe da missão brasileira evoluiu agora para uma decisão de manter a representação em nível inferior.
Na prática, a embaixada continuará funcionando, mas será chefiada por um encarregado de negócios, autoridade responsável pela administração da missão diplomática na ausência de um embaixador. A decisão é considerada inédita na história recente das relações entre Brasil e Argentina.
Embaixador segue fora de Buenos Aires
A manutenção da representação diplomática reduzida demonstra que o governo brasileiro avalia que os episódios recentes extrapolaram os limites do relacionamento institucional entre os dois países.
Desde o fim de julho, Milei voltou a fazer declarações públicas contra Lula, aprofundando uma crise diplomática que já havia levado o Itamaraty a convocar o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos e a retirar temporariamente o representante brasileiro em Buenos Aires.
O rebaixamento diplomático é um dos instrumentos utilizados pelos países para sinalizar descontentamento político sem romper formalmente as relações bilaterais.
Crise bilateral entra em novo patamar
Ao optar por não designar um novo embaixador para a Argentina neste momento, o governo brasileiro reforça o caráter político da decisão. A medida reduz o nível do diálogo diplomático entre os dois países, preservando apenas os canais administrativos e consulares indispensáveis ao funcionamento da embaixada.
O gesto também representa um recado de que Brasília não pretende normalizar plenamente a relação enquanto continuarem os ataques públicos do presidente argentino ao chefe do Executivo brasileiro.
Foto: Ricardo Stuckert/Reuters
Brasil 247