Bastante prestigiada e com ampla representação sindical e de trabalhadores a audiência pública realizada na noite desta quinta-feira (14) na Câmara Municipal de Campina Grande além de revelar dados importantes sobre o fim da escala de trabalho 6×1, acabou se tornando uma das maiores e com possibilidade de sua realização influenciar e impactar decisões futuras sobre a vida do trabalhador.
Além de tudo que foi dito e defendido em favor do trabalhador dois momentos da audiência pública chamaram a atenção de todos: o primeiro foi a revelação do professor, pesquisador e especialista em sociologia e mercado do trabalho e economia solidária Mário Henrique. Ao usar a Tribuna da Câmara ele disse que o fim da escala 6×1 deve beneficiar cerca de 77 mil trabalhadores em Campina Grande, principalmente nos setores do comércio e serviços.









Doutor em sociologia e professor no curso de Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Mário Henrique defendeu e mostrou que o fim da escala 6×1, ao contrário do que alguns empresários e políticos pensam, não vai quebrar o Brasil e deve ter efeito contrário, ou seja, além de beneficiar o trabalhador em sua saúde mental e física, e lhe proporcionar mais tempo para ele e a família, também deve movimentar positivamente a economia e o mercado de trabalho, como já acontece em outros países. Ele também disse que o fim da escala 6×1 deve ser associado a não redução de salário.
O segundo momento também marcante da audiência foi a fala do presidente do Sindicato dos Comerciários de Campina Grande e Região e representante local da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, José Rogério, que ao usar da tribuna além de defender o fim da escala 6×1 pediu publicamente e com veemência que seja divulgada uma nota de repúdio contra um empresário paraibano, que criticou o 1º de maio, chamando a data de dia da vagabundagem.
O empresário citado por José Rogério é Roberto Cavalcanti, dono do Sistema Correio de Comunicação e que ao comentar sobre o 1 de maio afirmou que não representa o dia do trabalhador, “mas sim o dia da vagabundagem” já que ninguém faz nada. Ele disse só considerar dia do trabalhador quando a pessoa acorda cedo e sai de casa para cumprir uma jornada, só voltando à noite. A fala do empresário repercutiu não só na Paraíba mas em todo o Brasil, causando revolta e repúdio de vários setores da sociedade.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
A audiência pública desta quinta-feira foi uma iniciativa da vereadora Jô Oliveira, que dirigiu os trabalhos, sendo secretariada pela também vereadora Kalina Dias. Mais de 150 pessoas entre sindicalistas, representantes de centrais sindicais, trabalhadores e convidados participaram do evento, considerado histórico e um dos mais importantes já realizados no plenário da Câmara Municipal de Campina Grande.
Entre os participantes da audiência que usaram da palavra estavam o diretor do Sindicato dos Comerciários local, vice-presidente estadual da CTB e representante da Feconeste na Paraíba José do Nascimento Coelho; as representantes da associação das empregadas domésticas Shirlene Brito e Eliane de Lima; as sindicalistas Socorro Ramalho, Maria de Lourdes (Lurdinha), Terezinha Cavalcanti e Patricia Sampaio, além do representante da União Geral dos Trabalhadores Carlos Lima, entre vários outros.
Além de marcar a luta pelo fim da escala 6×1 a audiência pública foi também em alusão ao Dia do Trabalhador e teve entre outros objetivos mostrar que quem trabalha merece tempo para viver, se cuidar e sonhar e que é preciso garantir qualidade de vida e a necessidade de construir jornadas de trabalho mais humanas e dignas.