Aprovação de Trump cai e atinge o pior nível, mostra pesquisa Financial Times: 33%


A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 33% e atingiu o menor nível desde que o Financial Times começou a acompanhar sua popularidade no atual mandato, em maio. A queda ocorre a menos de dois meses das eleições legislativas de novembro e é acompanhada por um forte desgaste do republicano na economia e até mesmo entre eleitores de seu próprio partido.
Os números aparecem em pesquisa nacional da Focaldata encomendada pelo Financial Times e divulgada neste domingo (6). O levantamento ouviu 1.914 eleitores registrados entre 28 de agosto e 1º de setembro e tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais. A aprovação de Trump havia sido de 35% no levantamento anterior.
O quadro mais adverso para a Casa Branca está ligado à percepção dos estadunidenses sobre a economia e o custo de vida. Quase dois terços dos entrevistados consideram que a economia dos Estados Unidos segue na direção errada, enquanto 57% afirmam estar em situação financeira pior durante o governo Trump.
A pesquisa também identifica uma deterioração do apoio ao presidente dentro do próprio Partido Republicano. A aprovação de Trump entre os republicanos caiu para 72%, o menor nível registrado pelo acompanhamento do Financial Times. Quando a pergunta é especificamente sobre sua condução da economia, o índice de aprovação entre os eleitores republicanos fica em 53%.

Economia amplia desgaste
O aumento do custo de vida aparece como um dos principais focos de insatisfação. As políticas tarifárias adotadas pela Casa Branca, combinadas aos efeitos econômicos do conflito com o Irã, passaram a exercer pressão sobre preços e sobre a percepção dos consumidores.
O levantamento mostra ainda rejeição às tarifas impostas pelo governo estadunidense ao Canadá. Segundo os dados publicados pelo Financial Times, 56% dos entrevistados demonstraram insatisfação com essas medidas diante do temor de novos aumentos de preços.
A piora na percepção econômica já havia aparecido em outras pesquisas. Em levantamento da Reuters/Ipsos divulgado em agosto, a aprovação de Trump também chegou a 33%, então o menor patamar de seu segundo mandato, enquanto 64% desaprovavam seu desempenho.
O mesmo movimento foi registrado pela Universidade de Massachusetts Amherst. Pesquisa divulgada em 31 de agosto mostrou aprovação de apenas 32% e desaprovação de 64%. Mais de dois terços dos entrevistados disseram desaprovar a forma como Trump conduz a guerra contra o Irã.

Guerra contra o Irã pressiona governo
Além das dificuldades econômicas, o prolongamento do conflito com o Irã tornou-se outro fator de desgaste para o presidente. Pesquisas recentes mostram preocupação crescente com a duração da guerra e seus reflexos sobre os preços de energia e alimentos.
No levantamento da Universidade de Massachusetts Amherst, quatro em cada cinco entrevistados afirmaram que a guerra contribuiu para elevar os preços dos alimentos e dos combustíveis. Apenas 25% avaliaram positivamente a condução do conflito por Trump.
Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em agosto mostrou cenário semelhante: 80% dos estadunidenses avaliavam que o envolvimento dos Estados Unidos no conflito duraria por um período prolongado, enquanto apenas 16% acreditavam que a guerra poderia terminar em poucas semanas.

Trump vira problema eleitoral para republicanos
A queda da popularidade também ameaça afetar as campanhas republicanas nas eleições de meio de mandato, que definirão em novembro a composição do Congresso dos Estados Unidos.
Segundo a pesquisa do Financial Times, 46% dos eleitores registrados avaliam que a participação de Trump nas campanhas torna mais difícil a situação dos candidatos republicanos. Entre os independentes, o impacto negativo é particularmente relevante.
Outro dado mostra o risco de associação direta ao presidente: 47% dos entrevistados disseram que não apoiariam um candidato publicamente endossado por Trump. O resultado indica que o peso eleitoral do presidente, que durante anos funcionou como instrumento de mobilização da base republicana, pode agora representar um obstáculo em disputas competitivas.
O cenário coincide com uma vantagem democrata no chamado voto genérico para o Congresso. De acordo com o levantamento do Financial Times, os democratas aparecem 7,5 pontos percentuais à frente dos republicanos entre os eleitores registrados.
A menos de dois meses das eleições, os números reforçam a preocupação entre dirigentes e candidatos republicanos com a combinação de inflação, custo de vida elevado, tarifas comerciais e prolongamento da guerra contra o Irã. O desafio para a Casa Branca passa a ser recuperar parte desse eleitorado sem aprofundar o desgaste entre independentes, grupo decisivo para o resultado de diversas disputas pelo Congresso.

Brasil 247


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