Netanyahu rejeita plano de Trump para Gaza e diz que Exército não deixará região


O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, descartou neste domingo (9) a proposta de 15 pontos apoiada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estabelece um processo gradual para o desarmamento do Hamas e a retirada de forças israelenses da Faixa de Gaza.
Segundo o The New York Times, a decisão representa uma rara divergência pública entre Netanyahu e Trump. O governo israelense já havia manifestado ressalvas ao plano e afirmado que a proposta não refletia suas posições, mas ainda não havia anunciado abertamente sua rejeição.
“Quero deixar claro: Israel descarta o plano de 15 pontos”, afirmou Netanyahu durante uma reunião de ministros, segundo comunicado divulgado por seu gabinete. De acordo com o premiê, as objeções israelenses também foram transmitidas ao governo Trump.
Netanyahu estabeleceu como condição que o Hamas entregue suas armas antes de qualquer recuo militar de Israel. Segundo ele, as forças israelenses “não realizariam nenhuma retirada até que o Hamas fosse desarmado”.

Plano prevê desarmamento e retirada graduais
A divergência entre o governo israelense e a proposta apoiada por Washington está principalmente na sequência de implementação das medidas.
Pelo plano, o Hamas entregaria gradualmente suas armas a uma nova administração palestina na Faixa de Gaza. Em contrapartida, Israel retiraria suas forças, também de maneira progressiva, de mais da metade do território de Gaza que ainda controla.
Netanyahu rejeita essa dinâmica e exige que o desarmamento do grupo palestino anteceda qualquer retirada das tropas israelenses.
Trump havia anunciado no fim de julho o entendimento entre seu Conselho da Paz e o Hamas, apresentando a iniciativa como um importante avanço nas negociações.

Rejeição expõe divergência entre Netanyahu e Trump
A manifestação torna explícita uma divergência entre os governos israelense e estadunidensesobre um dos principais pontos para definir o futuro da Faixa de Gaza.
Apesar da proximidade política entre Netanyahu e Trump, o primeiro-ministro israelense deixou claro que não aceita o mecanismo de implementação previsto na proposta apoiada pela Casa Branca.
A questão do desarmamento permanece entre os principais obstáculos para um acordo definitivo. A entrega das armas pelo Hamas é uma exigência central de Israel, enquanto a resistência armada contra o país constitui um princípio fundamental do grupo palestino.

Hamas ainda controla partes de Gaza
A disputa ocorre quase três anos depois do ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, episódio que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
Desde então, Netanyahu promete uma “vitória absoluta” sobre o Hamas. Apesar da prolongada ofensiva israelense, o grupo ainda mantém o controle sobre partes do território que governa há quase duas décadas.
A rejeição do plano também ocorre em um momento de pressão política interna sobre Netanyahu, que deverá enfrentar uma difícil campanha pela reeleição no segundo semestre.

Cessar-fogo deixou questões sem solução
Israel e Hamas concordaram, em outubro de 2025, com um cessar-fogo inicial apoiado pelos Estados Unidos. Os mediadores esperavam que o entendimento abrisse caminho para o encerramento da guerra.
A trégua, porém, deixou para negociações posteriores algumas das questões mais difíceis do conflito, entre elas o futuro do controle exercido pelo Hamas sobre Gaza e o desarmamento do grupo.
A proposta de 15 pontos apoiada pelo governo Trump buscava avançar sobre esse impasse ao vincular a entrega gradual das armas à redução progressiva da presença militar israelense.

Brasil 247


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