A vereadora de Campina Grande Jô Oliveira participou no último dia 12 da 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que aconteceu no município de Remígio (PB). A cada ano que acontece a mobilização reivindica proteção para os territórios agroecológicos da Borborema frente ao avanço da implementação de eólicas na região. Este ano o evento lançou o Programa 1 Milhão de Tetos Solares (P1MTS) uma tradição da luta feminista na região da Borborema.
Cerca de 5 mil mulheres participaram da marcha e interagiram com a vereadora Jô Oliveira, que caminhou com a multidão, dando apoio ao evento e à luta das mulheres, e recebendo o carinho de todas as participantes. A parlamentar sempre participa do evento que se fortalece e atrai mais mulheres a cada ano. Uma das principais reivindicações desta edição foi a revisão das normas de licenciamento das empresas de energia eólica, que vêm cometendo diversas violências contra as comunidades agricultoras da região.
A manifestação, realizada pelo Polo da Borborema, começou logo pela manhã na Lagoa Parque Senhor dos Passos, e teve como mote “Mulheres em defesa da Borborema Agroecológica, contra as falsas soluções para o clima”. A programação contou com feira agroecológica, teatro popular e show de Lia de Itamaracá. Um dos marcos políticos desta edição foi o lançamento do Programa 1 Milhão de Tetos Solares (P1MTS), iniciativa inédita de produção democrática de energia, realizada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em parceria com a Fundação Banco do Brasil, a Cáritas Francesa e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
O programa será executado na Paraíba, em Pernambuco, no Piauí e Norte de Minas Gerais. É fruto sobretudo da luta das mulheres do Semiárido por um modelo descentralizado de energia, que garanta participação popular nas decisões sobre territórios. As comunidades exigem ser consultadas antes de qualquer tipo de licenciamento para a implementação de instalações eólicas.
“Precisamos debater como é que a gente produz a nossa própria energia criando autonomia, incluindo as pessoas e sem ter que tirá-las dos territórios. Sem impactar a saúde, o meio ambiente e a caatinga. As experiências exitosas com energia saem dos territórios e dos processos de experimentação das famílias agricultoras. É esse o nosso legado, uma questão muito importante para nós nesse momento”, disse Roselita Vitor Albuquerque, agricultora do Polo da Borborema e da coordenação executiva da ASA.
É neste sentido que, ao longo dos anos, a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia afirmou a expressão de luta “Energia renovável sim, mas não assim!”. “Da forma como esses empreendimentos eólicos chegam aos territórios, a gente não consegue lidar efetivamente com as mudanças do clima. Eles mantêm o padrão de desenvolvimento econômico vigente e acabam por privatizar nossos bens comuns, seja o vento, o sol ou a terra, impedindo que milhares de famílias do território possam produzir seus alimentos com qualidade e vender nos mercados locais, ou possam continuar mantendo o seu projeto de vida”, afirmou Adriana Galvão Freire, coordenadora da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, organização que atua há 33 anos na Borborema.
A mobilização defendeu que a transição energética seja feita de maneira descentralizada, com projetos individuais ou a partir da microgeração de energia solar ou eólica, com tecnologias de baixo impacto. Apesar dos avanços no acesso à energia elétrica no campo brasileiro, não há luz suficiente nas moradias ou para o desenvolvimento de atividades produtivas.
Uma métrica para essa situação de pobreza energética é o comprometimento de 10% ou mais da renda familiar com a conta de luz. Quando isso ocorre, a baixa renda afeta a eficiência energética da casa, impactando a saúde, educação, desenvolvimento socioeconômico e a qualidade de vida. Visando transformar essa realidade, o objetivo do Programa 1 Milhão de
Tetos Solares é garantir 300 kWh/mês por família, focando na produção agroecológica e redução de custos de produção.
Jô Oliveira participa da 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, em Remígio (PB)