Flávio Bolsonaro agora apóia PEC do governo Lula e diz que vai votar a favor do fim da escala 6×1


O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A declaração representa uma mudança de posição do parlamentar, que vinha criticando a iniciativa defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
O posicionamento foi anunciado após Flávio visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. A mudança ocorre a 12 dias da votação presidencial e na véspera da análise da PEC pelo plenário do Senado, prevista para quarta-feira (14). A redução da jornada de trabalho é uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Até então, o candidato do PL defendia uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial, que prevê a remuneração por hora trabalhada. Flávio também havia classificado a proposta defendida pelo governo Lula como “oportunista”.
Apesar de anunciar apoio à PEC, o senador manteve críticas ao modelo de redução da jornada e argumentou que o texto deveria permitir maior flexibilidade na organização dos horários de trabalho.
“Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC. Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o filho e só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar à tarde? Vai continuar engessada a jornada dela. Mas acho que é um processo de evolução”, declarou.
A manifestação evidencia uma alteração na estratégia do candidato em relação a uma pauta trabalhista de grande repercussão na campanha eleitoral. Embora tenha passado a defender a aprovação da medida, Flávio continua sustentando uma proposta diferente daquela apresentada como prioridade pelo governo federal.

Flávio cobra compensação às empresas e alerta para informalidade
Outro ponto destacado pelo senador foi o impacto econômico da redução da jornada de trabalho. Flávio afirmou que a mudança poderá exigir a contratação de novos funcionários e defendeu que o governo federal ofereça mecanismos de compensação financeira aos empregadores.
O candidato também mencionou o endividamento de empresas e famílias brasileiras para justificar sua preocupação com os efeitos da proposta sobre os custos trabalhistas.
“O governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas. Tem o risco de muita gente ir para a informalidade. Então, isso tudo a gente está pesando. Mas, de novo, o meu voto vai ser conforme a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro”, afirmou.
A posição anunciada pelo senador estabelece uma distinção entre seu apoio à extinção da escala 6×1 e as condições que considera necessárias para implementar a mudança.
A proposta em discussão no Congresso busca alterar a organização da jornada de trabalho, atualmente marcada, em diversos setores, pelo regime de seis dias de atividade para um de descanso. A medida tem implicações para trabalhadores e empregadores e ocupa espaço central no debate eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A votação prevista para quarta-feira coloca o tema na agenda do Senado em um momento decisivo da disputa presidencial. Por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, sua aprovação exige o apoio de pelo menos três quintos dos senadores, equivalentes a 49 votos, em dois turnos de votação. O texto também precisa passar pela Câmara dos Deputados, conforme as regras de tramitação das PECs.

Mudança de posição ocorre após visita a Jair Bolsonaro
O anúncio foi feito depois do primeiro encontro presencial entre Flávio Bolsonaro e seu pai em três meses. O senador chegou à residência do ex-presidente, em Brasília, por volta das 9h45 desta terça-feira, após o encerramento de uma suspensão de visitas determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A restrição havia sido imposta em julho, depois que Flávio divulgou nas redes sociais uma carta de Jair Bolsonaro em apoio à sua candidatura presidencial.
O documento, intitulado “Carta aos brasileiros”, foi apresentado pelo senador durante uma transmissão ao vivo e posteriormente publicado em seus perfis digitais.
Na ocasião, Moraes entendeu que a divulgação violava as condições estabelecidas para a prisão domiciliar do ex-presidente, que estava impedido de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
O ministro considerou que Flávio havia utilizado a autorização de visita para obter e divulgar uma manifestação política do pai, em desacordo com as determinações judiciais.
A decisão provocou críticas do senador, que classificou a suspensão como desproporcional e argumentou que a restrição também prejudicava sua atuação como advogado de Jair Bolsonaro.
Nesta segunda-feira (12), Moraes autorizou a retomada dos encontros, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro avaliou que não haviam ocorrido novos episódios capazes de justificar a continuidade da proibição.
A autorização, entretanto, manteve as restrições relacionadas à utilização das visitas para atividades político-eleitorais e à divulgação de manifestações públicas do ex-presidente.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Desde março, está em regime domiciliar, autorizado judicialmente em razão de problemas de saúde.

PL articula sucessão no Congresso e apoio eleitoral
O reencontro entre pai e filho também ocorreu em meio às movimentações do PL para a escolha dos próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, prevista para fevereiro de 2027.
De acordo com O Globo, integrantes da legenda esperam contar com a influência de Jair Bolsonaro nas negociações com outros partidos e na definição dos candidatos que receberão apoio das bancadas.
Embora aliados considerem possível que a sucessão no Congresso tenha sido discutida durante a visita, não há confirmação de que o assunto tenha integrado a conversa.
Na Câmara, uma parcela do PL resiste à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) e defende a apresentação de uma candidatura própria ou a formação de uma aliança com outras legendas.
Entre os nomes mencionados nas articulações estão os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ).
O Republicanos, por sua vez, já indicou que pretende apoiar a continuidade de Motta na presidência da Câmara, independentemente do resultado da eleição presidencial. A posição foi comunicada pelo presidente nacional do partido, Marcos Pereira, a Flávio Bolsonaro.
Outra possibilidade considerada por integrantes do PL é concentrar esforços na disputa pelo comando do Senado. Uma ala da legenda avalia que a presidência da Casa possui importância estratégica por sua competência para conduzir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, tema recorrente nas manifestações do bolsonarismo.
Além das articulações no Congresso, Flávio tem compromissos eleitorais previstos em São Paulo nesta terça-feira. Entre eles está uma reunião com representantes de diretórios do MDB favoráveis à sua candidatura. 15 diretórios da legenda devem declarar apoio ao candidato do PL.

Brasil 247


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