Presidente do PSD, Gilberto Kassab, anuncia neutralidade entre Lula e Flávio e libera apoios no segundo turno


A direção nacional do PSD decidiu não declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial. A legenda também liberou seus diretórios estaduais, parlamentares, lideranças, filiados e militantes para escolherem individualmente qual candidatura apoiar.
A decisão foi anunciada neste domingo (4) pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O posicionamento foi divulgado após o candidato presidencial da legenda, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, terminar o primeiro turno com apenas 2,19% dos votos.
Em nota, Kassab relacionou a neutralidade nacional à diversidade das alianças construídas pelo PSD nos estados durante o processo eleitoral. Segundo ele, a opção foi preservar no segundo turno a autonomia concedida anteriormente às estruturas locais da legenda.
“Diante da diversidade de cenários eleitorais que tivemos nos Estados, em que as instâncias estaduais do PSD tiveram liberdade para construir suas alianças, a direção nacional entende como natural manter esta diretriz neste segundo turno. Assim, cada diretório estadual, parlamentar, liderança partidária, filiados e militantes terão liberdade para definir seu apoio na eleição presidencial e em eventual disputa estadual”, afirmou Kassab.

Caiado aguardava conversa com Kassab
A definição da direção nacional ocorre depois de Caiado afirmar que não anunciaria imediatamente um eventual apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro.
Após a divulgação do resultado do primeiro turno, o ex-governador disse que pretendia conversar com Kassab antes de tomar uma posição sobre a disputa pelo Palácio do Planalto.
“Neste momento, vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab”, afirmou Caiado em entrevista coletiva.
Com a neutralidade definida pela direção nacional, diferentes alas do PSD poderão apoiar candidaturas adversárias sem contrariar uma orientação partidária nacional. A estratégia também preserva as alianças estabelecidas pela legenda de acordo com as particularidades das disputas estaduais.

Kassab critica “extremismos”
Ao fazer um balanço da candidatura presidencial do PSD, Kassab afirmou que a campanha de Caiado “não apelou aos extremismos” e defendeu que o debate político nos próximos quatro anos se concentre em questões relacionadas ao desenvolvimento do país.
“Torceremos e atuaremos politicamente para que não sejam mais quatro anos de brigas pouco produtivas e debates sobre temas que não estão na pauta do desenvolvimento brasileiro, independentemente do vencedor. Não eleger Caiado presidente em 2026 significa que o Brasil perdeu uma oportunidade”, diz a nota.
A manifestação sinaliza que, embora não tenha conseguido levar seu candidato presidencial ao segundo turno, o PSD pretende manter espaço de interlocução política independentemente do resultado da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

PSD amplia representação nos estados e no Congresso
O desempenho de Caiado na corrida presidencial contrastou com os resultados obtidos pelo PSD em outras disputas eleitorais.
Nestas eleições, o partido elegeu 44 deputados federais, dois novos senadores e 103 deputados estaduais. A legenda também conquistou quatro governos estaduais no primeiro turno e terá candidatos disputando outros dois estados no segundo turno.

Brasil 247


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