Em julho, custo da cesta básica diminui em 26 capitais mostra pesquisa feita pelo Dieese


Em 2024, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) firmaram parceria para acompanhamento dos preços da cesta básica de alimentos, como contribuição à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e à Política Nacional de Abastecimento Alimentar.
Um dos frutos da parceria foi a ampliação da coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras. Os resultados das 27 cidades começaram a ser divulgados em agosto de 2025.
O valor do conjunto dos alimentos básicos diminuiu em 26 das 27 capitais brasileiras, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Conab. Entre junho e julho de 2026, as quedas mais importantes ocorreram em Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%), Rio de Janeiro (-7,12%), Brasília (-6,71%), João Pessoa (-6,65%), Salvador (-6,59%), Fortaleza (-6,39%), Florianópolis (-6,28%) e Cuiabá (-6,04%). A única alta foi registrada em São Luís, 0,30%.
São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 915,01), seguida por Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73) e Rio de Janeiro (R$ 855,37). Nas cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 594,07), Maceió (R$ 618,60), Natal (R$ 631,51) e João Pessoa (R$ 644,04).
A comparação dos valores da cesta, entre julho de 2025 e julho de 2026, mostrou que o custo aumentou em 22 capitais e caiu em outras cinco. As altas variaram entre 0,74%, em Recife, e 8,33%, em Cuiabá. As quedas mais expressivas ocorreram em Natal (-2,26%), Brasília (-1,46%) e São Luís (-1,18%).
No acumulado de janeiro a julho de 2026, as 27 capitais registraram alta nos preços da cesta básica, com variações que oscilaram entre 4,28%, em Campo Grande, e 15,68%, em Porto Velho.
Com base na cesta mais cara, que, em julho, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em julho de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.687,01 ou 4,74 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621,00. Em junho, o valor necessário era de R$ 8.110,92 e correspondeu a 5 vezes o piso mínimo. Em julho de 2025, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.274,43 ou 4,79 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.

Cesta x salário mínimo
Em julho de 2026, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais pesquisadas foi de 100 horas e 24 minutos, menor do que o registrado em junho, quando ficou em 105 horas e 51 minutos. Já em julho de 2025, a jornada média foi de 103 horas e 40 minutos.
Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em julho de 2026, 49,34% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em junho, 52,02% da renda líquida. Em julho de 2025, o percentual médio ficou em 50,94%.

Principais variações dos preços dos produtos da cesta
Entre junho e julho de 2026, o valor do quilo da batata diminuiu em todas as cidades do Centro-Sul, onde é pesquisada. As quedas variaram entre -31,12%, em Brasília, e -15,55%, em Cuiabá. No acumulado de 12 meses, o valor da batata aumentou em todas as 11 capitais. As elevações ficaram entre 36,54%, em São Paulo, e 71,92%, em Belo Horizonte. A elevada oferta do tubérculo, consequência da intensificação da safra de inverno e da melhora na produtividade, levou à desvalorização do produto no varejo.
O preço do quilo do tomate aumentou apenas em São Luís (0,28%). Nas demais capitais, houve queda do valor médio com variações entre -51,88%, em Maceió, e -2,99%, em Macapá. No acumulado de 12 meses, o preço diminuiu em 21 capitais, com variações mais expressivas em Maceió (-40,90%) e Natal (-40,03%). As maiores altas foram registradas em Macapá (19,80%), Porto Velho (7,20%) e Rio Branco (6,61%). A maior produtividade, as regiões em plena safra e temperaturas diurnas mais elevadas, apesar do frio, favoreceram a maturação dos frutos, o que elevou a oferta.
O preço do café em pó ficou menor em 23 capitais. As principais reduções foram observadas em Campo Grande (-5,19%) e Aracaju (-3,74%). Houve aumento em quatro cidades: Rio de Janeiro (0,74%), Palmas (0,73%), Goiânia (0,68%) e Recife (0,29%). No acumulado de 12 meses, apenas São Luís (3,43%) apresentou alta no valor médio do café. Houve redução em 26 capitais, com destaque para Rio de Janeiro (-22,40%), Brasília (-22,35%) e Curitiba (-21,90%). O mercado de café registrou forte volatilidade: de um lado, as altas foram sustentadas pelas preocupações com o clima, pelo atraso da colheita da safra 2026/2027 no Brasil e pelas incertezas quanto à qualidade dos grãos; de outro, as baixas nos preços foram consequência da expectativa de recorde histórico na produção mundial e da redução das exportações. No varejo da maior parte das capitais, predominou a queda dos preços.
O preço do açúcar diminuiu em 20 capitais, com percentuais entre -7,54%, em Campo Grande, e -0,57%, em Aracaju. A alta, registrada em sete cidades, foi maior em Macapá (7,53%). No acumulado de 12 meses, o preço caiu em todas as capitais, com variações entre -33,94%, em Belém, e -4,91%, em São Luís. O grande volume colhido de cana-de açúcar pode explicar a queda de valores no varejo.
O valor do quilo da carne bovina de primeira apresentou comportamento variado entre junho e julho de 2026, com elevação em 12 cidades, entre as quais destacam-se Aracaju (2,15%) e Boa Vista, (2,10%). Em Porto Alegre, o preço se manteve estável, enquanto 14 cidades registraram reduções, que ficaram entre -2,94%, em Florianópolis, e -0,09%, em Brasília. Em 12 meses, o preço da carne bovina de primeira aumentou em todos os municípios cobertos pelo levantamento, com elevações entre 1,42%, em Brasília, e 19,09%, em Rio Branco. De um lado, a oferta de animais prontos para abate foi mais restrita e as exportações apresentaram bom desempenho, mas, de outro, os altos patamares de valores praticados no varejo e a menor demanda não permitiram repasse total para os preços, o que justifica o comportamento diferenciado.
Entre junho e julho de 2026, o valor do quilo do feijão aumentou em 17 capitais e diminuiu em outras 10. O grão preto, pesquisado nos municípios do Sul, no Rio de Janeiro e em Vitória, apresentou alta em todas os locais onde é coletado. Os percentuais ficaram entre 1,84%, em Vitória, e 7,42%, em Curitiba. Em 12 meses, houve elevação em todas as capitais, com percentuais entre 9,97%, em Florianópolis, e 24,57%, em Vitória. Já o tipo carioca, cujo valor é coletado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte, apresentou aumento em 12 capitais. As maiores variações foram registradas em Palmas (5,49%), Boa Vista (5,25%) e Manaus (4,22%). As quedas foram observadas em 10 capitais, com destaque para Belo Horizonte (-9,08%), Campo Grande (-7,91%) e João Pessoa (-3,93%). Em 12 meses, o grão carioca apresentou alta em todas as capitais, com percentuais entre 11,58%, em São Luís, e 77,46%, em Goiânia. A maior oferta de grão carioca, com o avanço da colheita, e a oferta restrita do tipo preto, decorrente das perdas registradas na segunda safra da região Sul, são o motivo do resultado diferenciado no varejo.
O preço do leite integral subiu em 21 capitais, com altas entre 0,25%, em Belém, e 6,27%, em Boa Vista. Houve queda em seis cidades, a mais expressiva em Campo Grande (-2,41%). Em 12 meses, o preço aumentou em 25 capitais, com destaque para Salvador (13,80%) e Aracaju (13,53%). Houve queda em dois municípios: Campo Grande (-0,25%) e Macapá (-0,49%). Houve desaceleração do ritmo de produção da matéria-prima, devido às baixas temperaturas registradas no campo, o que sustentou as cotações do leite UHT

Fonte: Dieese.org.br


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