O valor do vale-refeição pago aos trabalhadores brasileiros está durando cada vez menos e cobriu, em média, apenas nove dias úteis de alimentação no primeiro semestre deste ano. O dado representa uma queda de 4,4% no alcance do benefício em comparação com o mesmo período do ano passado, quando a cobertura média era de dez dias, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.
A retração do poder de compra do vale-refeição é um processo contínuo que se intensificou nos últimos anos. De acordo com o levantamento inédito realizado pela empresa de benefícios Pluxee, em 2023 o benefício era suficiente para alimentar o trabalhador por 11 dias úteis. Em 2022, cobria 13 dias e, no período pré-pandemia, em 2019, chegava a garantir 18 dias úteis de refeição no mês.
A causa central dessa perda progressiva é o forte descompasso entre o aumento real do custo da alimentação fora de casa e os reajustes concedidos pelas empresas. Enquanto o preço médio de uma refeição subiu 4,3%, atingindo o patamar de R$ 44,69, o valor médio mensal do benefício repassado aos funcionários teve uma elevação de apenas 1,5%, alcançando R$ 583,75.
Diante do desequilíbrio financeiro, a sobrecarga sobre o orçamento das famílias aumentou significativamente. Para conseguir cobrir as despesas mensais com refeições durante os dias de trabalho, os brasileiros precisam desembolsar, em média, R$ 589 do próprio bolso. Esse valor adicional pago pelo trabalhador equivale a 101% do montante total recebido por meio do próprio vale-refeição.
O estudo também traz um panorama detalhado sobre as acentuadas disparidades regionais no país. O estado de Roraima registra o pior cenário nacional, onde o vale-refeição dura, em média, apenas seis dias úteis. Em seguida surgem o Maranhão, com duração de sete dias, e os estados do Acre e de Rondônia, cujos benefícios cobrem oito dias úteis.
No extremo oposto da lista, Minas Gerais lidera o ranking de maior durabilidade do benefício, com o vale cobrindo uma média de 13 dias úteis. O estado é seguido por Rio de Janeiro e São Paulo, locais onde o valor repassado aos trabalhadores é suficiente para custear cerca de 12 dias úteis de alimentação.
A pesquisa chama a atenção especial para a situação enfrentada pelo Maranhão, classificada como uma “tempestade perfeita” para os trabalhadores locais. No estado, além de a duração do benefício ter encolhido 11,3% em comparação com o ano anterior, houve uma redução direta no valor pago pelas empresas aos seus colaboradores.
Foto: Brasil 247/Dall-E
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