Seis em cada dez brasileiros consideram verdadeiras as declarações de Michelle Bolsonaro sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio à crise aberta no PL após a ex-primeira-dama acusar o senador e enteado de desrespeitá-la e criticar a aliança do partido no Ceará com Ciro Gomes (PSDB), segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (8).
De acordo com o levantamento, 64% dos entrevistados avaliam que as falas de Michelle Bolsonaro são verdadeiras em algum grau. O episódio ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo nas redes sociais, no mês passado, no qual a ex-primeira-dama expôs divergências internas no PL e abriu uma nova crise na pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência.
A pesquisa mostra que 29% dos brasileiros consideram as declarações de Michelle totalmente verdadeiras, enquanto 35% afirmam que elas são mais verdadeiras do que falsas. Na direção oposta, 29% disseram ver as falas como mais falsas do que verdadeiras, e 0,3% as classificaram como totalmente falsas. Outros 6,6% não souberam responder.
O levantamento também mediu o impacto do vídeo sobre a imagem de Michelle Bolsonaro. Para 44,4% dos entrevistados, a publicação não aumentou nem diminuiu a confiança na ex-primeira-dama. Já 23,4% afirmaram que o episódio elevou a confiança nela, enquanto 17,3% disseram que a confiança diminuiu. Outros 14,9% não souberam opinar.
A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1,5 mil pessoas em todo o país entre os dias 3 e 6 de julho. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-05628/2026.
A crise provocada pela fala de Michelle se tornou um novo revés para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Aliados do senador avaliam que a exposição pública do desentendimento atingiu diretamente uma das principais frentes de sua estratégia eleitoral: a tentativa de ampliar a presença junto ao eleitorado feminino.
Desde o início do ano, pesquisas internas vinham orientando Flávio Bolsonaro a reforçar ações voltadas às mulheres, que representam mais da metade do eleitorado brasileiro. Nesse contexto, Michelle era vista como uma figura estratégica para o PL, especialmente por sua atuação à frente do PL Mulher desde 2023, cargo que deixou após a repercussão do vídeo.
A ex-primeira-dama vinha percorrendo o país para fortalecer diretórios, identificar novas lideranças e ampliar a presença do partido entre mulheres conservadoras. Para aliados, a perda de protagonismo de Michelle nesse campo representa um problema político relevante para Flávio, sobretudo diante da dificuldade do senador em reduzir a vantagem do presidente Lula (PT) nesse segmento.
A preocupação também se estende ao eleitorado evangélico, segmento no qual Michelle mantém forte influência. No vídeo, ela aparece em um ambiente com objetos religiosos e mensagens bíblicas, reforçando sua conexão com esse público. A ex-primeira-dama também afirmou ter sido “maltratada” por Flávio, declaração que gerou forte reação no entorno do senador.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais para se defender. Ele afirmou ser “casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na vida”. Pouco depois, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, também saiu em defesa do marido, chamando-o de “um pai dedicado às duas filhas”.
No vídeo de 27 minutos, Michelle Bolsonaro reafirmou sua discordância em relação ao apoio do PL a Ciro Gomes no Ceará, disse ter sido maltratada por Flávio e destacou o trabalho desenvolvido com mulheres dentro do partido. A gravação intensificou divisões internas no bolsonarismo e aumentou a pressão sobre a articulação política do senador.
Aliados afirmam que Flávio foi surpreendido pela publicação e ficou irritado com a repercussão. Segundo interlocutores, ele disse que nunca havia sido desrespeitoso daquela forma em público. O PL agora tenta conter os danos e reorganizar a pré-campanha.
Nos bastidores, a discussão sobre a escolha do vice passou a ganhar mais peso. Embora a definição estivesse prevista para uma etapa posterior, aliados avaliam que a crise envolvendo Michelle reforçou a necessidade de acelerar a decisão, diante do impacto político do episódio na imagem de Flávio Bolsonaro e na relação do PL com eleitoras conservadoras e evangélicas.
Brasil 247