‘Entreguista’, diz Lindbergh após Eduardo Bolsonaro sugerir que Brasil troque o Pix por sistema dos EUA


O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) fez uma grave denúncia nesta quarta-feira (3) e, em publicação no Instagram, afirmou que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende “tirar o Pix” do Banco Central brasileiro e, por consequência, agredir a soberania nacional. “A família Bolsonaro e Trump querem tirar o Pix do Banco Central. Querem entregar para empresas norte-americanas”, denunciou o parlamentar.
Segundo Lindbergh, o bolsonarismo e o governo de Donald Trump buscam substituir o protagonismo do Pix no Brasil por interesses ligados ao mercado estadunidense de pagamentos digitais. O deputado citou o Zelle, rede digital de pagamentos dos EUA, como alternativa que esses grupos tentariam favorecer no país. “Além de traidores, são cínicos”, criticou o petista.
No Brasil, o Banco Central lançou o Pix em 2020 e, segundo a Agência Brasil, o sistema acumulava 178,9 milhões de usuários ao fim de novembro de 2025. Atualmente, os EUA defendem sanções contra o governo brasileiro por causa de condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal em investigações sobre tentativas de golpe.
No último dia 25, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos EUA e voltou ao Brasil no dia 28. Durante a passagem pelo território estadunidense, o parlamentar da extrema direita se encontrou com o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora em território estadunidense. Os dois filhos de Jair Bolsonaro buscam ampliar a aproximação com a gestão de Donald Trump, com o objetivo de incentivar sanções contra o Brasil.
No inquérito sobre o plano de golpe, o Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão. Ao todo, 29 pessoas receberam condenações nesse processo. Na investigação sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o STF estabeleceu mais de 1,4 mil condenações. Para Lindbergh, a reação externa contra o Brasil busca pressionar o país diante de decisões judiciais internas e atingir instrumentos estratégicos da economia nacional, como o Pix.
A denúncia do deputado insere o sistema de pagamentos instantâneos no centro da disputa política com os Estados Unidos. Na avaliação de Lindbergh, a tentativa de enfraquecer o papel do Banco Central sobre o Pix representa uma investida contra uma tecnologia brasileira e contra a autonomia do país em sua política econômica.

O que é o Zelle
Nos Estados Unidos, o Zelle é utilizado principalmente para transferências entre pessoas físicas, embora também seja adotado por parte dos pequenos negócios. O serviço está integrado aos aplicativos de bancos e cooperativas de crédito participantes da rede, incluindo instituições como Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo.
Para enviar dinheiro, basta informar o número de celular ou o endereço de e-mail do destinatário. Se o recebedor já estiver cadastrado no sistema, os recursos normalmente são transferidos em poucos minutos.

Rede privada, não pública
A principal diferença entre Zelle e Pix está em sua estrutura institucional.
O Zelle não foi criado nem é operado pelo banco central dos Estados Unidos. A plataforma pertence e é administrada pela Early Warning Services (EWS), empresa controlada por alguns dos maiores bancos norte-americanos.
Já o Pix é uma infraestrutura pública criada, operada e regulada pelo Banco Central do Brasil, responsável por definir regras, supervisionar participantes e garantir a interoperabilidade do sistema.

Diferenças de alcance
O Pix foi desenvolvido para atender pessoas físicas, empresas, órgãos públicos, prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais. Além das transferências instantâneas, permite pagamentos por QR Code, cobranças, liquidação de contas e integração com diferentes instituições financeiras.
O Zelle possui foco mais restrito. Seu uso está concentrado principalmente em transferências entre usuários que mantêm contas em bancos ou cooperativas participantes da rede. Embora também seja utilizado por pequenos negócios para receber pagamentos, seu alcance comercial permanece mais limitado quando comparado ao Pix.

Questões de segurança
As transferências realizadas pelo Zelle costumam ser processadas rapidamente e, após autorizadas, são difíceis de cancelar ou reverter. Por essa razão, a própria plataforma recomenda que os usuários enviem dinheiro apenas para pessoas conhecidas e de confiança.
Nos últimos anos, o sistema foi alvo de questionamentos de autoridades e órgãos de defesa do consumidor nos Estados Unidos devido ao volume de fraudes e golpes registrados em sua rede.

Sistemas com propostas diferentes
Apesar de ambos permitirem pagamentos rápidos, Zelle e Pix foram concebidos com objetivos e arquiteturas distintas.
Enquanto o Pix se consolidou como uma infraestrutura nacional de pagamentos de amplo alcance, utilizada por praticamente todos os setores da economia brasileira, o Zelle funciona como uma rede privada bancária voltada principalmente para transferências entre usuários do sistema financeiro norte-americano e para parte dos pequenos negócios que operam na plataforma.
A comparação com o Pix fica ainda mais favorável ao sistema brasileiro quando se observa a abrangência: ambos costumam ser gratuitos para pessoas físicas, mas o Pix oferece um conjunto muito maior de funcionalidades, integração nacional e cobertura praticamente universal no sistema financeiro brasileiro.

Foto: Reprpodução
Brasil 247


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *