O líder supremo do Irã e governante máximo da revolução islâmica, o aiatolá Sayyed Ali Khamenei, morreu em decorrência dos ataques desferidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o país, confirmaram canais oficiais iranianos na noite deste sábado (28). Teerã decretou 40 dias de luto nacional.
Neste sábado, EUA e Israel lançaram uma série de ataques contra alvos iranianos, incluindo a capital Teerã, causando danos materiais e vítimas civis. O Irã respondeu com ataques retaliatórios de mísseis contra o território israelense e contra infraestruturas militares americanas no Oriente Médio. Em um primeiro momento, Teerã desmentiu os relatos sobre a morte de Khamenei, enquanto a mídia israelense e o presidente dos EUA, Donald Trump, insistiam na informação.
Khamenei, de 86 anos, foi um adversário ferrenho do Ocidente desde que assumiu o poder em 1989, após a morte do fundador da República Islâmica, o Imam Ruhollah Khomeini — que, por sua vez, havia chegado ao poder com o triunfo da revolução islâmica de 1979, responsável pela derrubada do regime monárquico do xá.
Com mãos de ferro, Khamenei sufocou sucessivas revoltas internas, valendo-se do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica para esmagar a dissidência. Seu objetivo declarado — moldado pelos sermões de Khomeini, cujo retrato o acompanha em palácios e cerimônias por todo o Irã — era conduzir seu povo rumo à “Ummah”, conceito islâmico que designa a comunidade universal de todos os muçulmanos do mundo. Nos últimos anos o governo até ensaiava uma tímida abertura às pressões internas, flexibilizando de forma gradual certas normas, como o uso obrigatório do véu pelas mulheres.
Natural de Mashhad, na província do Khorasan, Khamenei foi escolhido sucessor de Khomeini pelo Conselho dos Peritos e Guardiões. À época, sua capacidade de manter a coesão do país diante das turbulências internas e das pressões das potências hegemônicas globais — em especial do sionismo — frustrou as expectativas daqueles que apostavam no colapso da revolução com a perda de seu fundador.
Antes disso, em 1981, com a morte do presidente Mohammad Ali Rajai, Khamenei lançou sua candidatura nas eleições presidenciais antecipadas. Com mais de 95% dos votos, tornou-se o primeiro clérigo a ocupar a presidência do país.
Em seus discursos semanais, o líder frequentemente evocava as memórias dos anos passados nas prisões, nos centros de detenção e no exílio.
Quanto ao futuro do país, observadores ocidentais delineiam alguns cenários para a transição de liderança: a continuidade da revolução, uma transição conduzida pelas forças armadas ou o aprofundamento das pressões internas e externas sobre o governo. As hipóteses impostas de fora, contudo, são as que menos perspectivas oferecem de trazer estabilidade ao país.
Fato é que a revolução islâmica iraniana, independentemente das divergências que provoca, constitui um capítulo singular e incontornável da história contemporânea — apontada por estudiosos do Sul Global como um dos marcos fundadores do que hoje se denomina multipolaridade.
Sob a liderança de Khamenei, o Irã ergueu-se das ruínas da guerra contra o Iraque, resistiu a décadas de sanções ocidentais devastadoras, elevou comprovadamente o padrão de vida da população e projetou sua influência por toda a região. Em suas memórias, o próprio líder não atribui essa trajetória a habilidades políticas, mas a uma força divina.
Foto: WANA (West Asia News Agency)/Handout via Reuters
Brasil 247